Ativismo Curdo

Ativista fala sobre a luta das mulheres na revolução curda

“Um debate sobre o movimento de libertação do povo curdo e o protagonismo desempenhado pelas mulheres nesta revolução aconteceu no início da noite desta quarta-feira (20/1) no Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre. O debate faz parte da programação do Fórum Social Temático que acontece na capital gaúcha e contou com a participação de Melike Yasar, ativista do Movimento de Mulheres Livres do Curdistão.

A vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) e Juliano Medeiros, dirigente nacional do PSOL e membro da Fundação Lauro Campos, abriram a conversa destacando o empenho das mulheres curdas para a libertação do seu povo e para a própria libertação feminina. Fernanda citou uma série de lutas no mundo que têm no centro a luta feminista pela libertação e o fim do preconceito. “Aqui mesmo presenciamos diariamente o envolvimento dos movimentos pela libertação das mulheres negras, índias e trabalhadoras”, lembrou a vereadora. Juliano destacou o modelo a
dotado pelo povo curdo, criando uma própria forma de organização social, política e económica na região, “baseada no que eles chamam de confederalismo democrático, com premissas anti-Estado e anticapitalistas”. 

Melike Yasar informou que o povo curdo é o mais numeroso do mundo a não ter um Estado, reunindo uma população de 26 milhões de pessoas que vivem em um território que abrange partes do Iraque, da Síria, da Turquia e do Irã que lutam por autonomia e soberania. “Uma luta contra o capitalismo que sufoca a libertação dos povos”, denunciou, revelando que, nos últimos quatro anos, com a intensificação da guerra civil na Síria, os curdos têm se organizado para defender seus territórios das forças do governo de Bashar al-Assad e dos terroristas do autoproclamado Estado Islâmico. Melike acrescentou que há uma crescente hostilidade das forças armadas da Turquia na fronteira com o país.

A ativista curda traçou um mapa geográfico do território conflagrado pela guerra, dando especial destaque à região de Rojava, que, conforme o nome, fica localizada no lado oeste e possui uma população de cerca de 3 milhões de pessoas, espalhadas por uma dúzia de cidades. Nesses locais, são desenvolvidos programas políticos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), com uma forte participação feminina.

HDPfoto em https://resistenciacurda.wordpress.com/sobre/

Revolução:

A luta das mulheres foi definida por Melike como fundamental para o sucesso da causa curda. “Em Rojava, as mulheres estão na linha de frente do combate militar ao Estado Islâmico”, disse. Segundo ela, as mulheres são minoria e, portanto, dependem dos homens pegarem as armas. “Só libertando as mulheres é que eles poderão se libertar”, afirmou. Melike revelou que apenas 10% das mulheres curdas estão na linha de frente, na luta armada. Os outros 90% lutam em prol da democracia, realizando um trabalho de conscientização de casa em casa, nas aldeias, “procurando restabelecer as atividades normais, contra os atrasos deixados pelas guerras”. Reforça que a guerra é subsidiada pelos Estados Unidos, os países europeus e a Turquia, que veem na organização curda um perigo e tentam destruí-la.

Por fim, a ativista curda ainda disse que é preciso ser criativo no processo de luta pela libertação. “Enfrentamos também o preconceito dos nossos companheiros”, revelou, o que, às vezes, é bem mais difícil que a luta “contra o inimigo externo”. Concluiu lembrando que os curdos têm uma história calcada no genocídiopraticado pelas grandes potências mundiais, mas que isso não impede a luta que deve ter nas mulheres uma das principais referências da resistência nos últimos 40 anos de guerra. “Não se pode construir um país democrático sem que as mulheres possam ir às ruas”, finalizou.”

Curdistão: A guerrilha feminista que combate o Estado Islâmico

mulheresquelutam

“Num mundo de tradições áridas e desertos de intolerância, o preço de ser uma mulher livre é pago na pontaria.

Na altura de se publicar este texto, na fronteira síria com a Turquia, a cidade curda de Kobanê é sitiada pelo Estado Islâmico. Espera-se de uma hora para outra sua queda.

Mais de 130 mil habitantes de Kobanê fugiram para a Turquia nos últimos dias. Os fuzis e granadas das YPG (Unidades de Defesa Popular curdas) que controlam a cidade parecem insuficientes em frente aos tanques e a artilharia pesada dos jihadistas.

As forças curdas contam no entanto com uma arma singular e poderosa: em suas unidades militares participam milhares de mulheres -formando inclusive batalhões inteiramente femininos- o que inspira terror ao Estado Islâmico.

Dois objetivos. “Não duvidamos em fazer a guerra aos comunistas apóstatas do PKK/YPG”, orgulhou-se o Estado Islâmico no número 2 de sua publicação mensal Dabiq, ao resenhar os seus confrontos com a guerrilha curda. Precisamente, o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e as YPG são as forças que nos últimos meses se mostraram mais eficazes -junto às tropas do governo autônomo curdo de Erbil- no combate contra os islamistas.

Os “secularistas” e “apóstatas” que lutam contra o Estado Islâmico estão organizados em partidos políticos de caráter laico e forte caráter nacionalista. O PKK é maioritário entre os curdos da Turquia, uns 20 milhões de pessoas. As YPG são seu braço na Síria.

Ambas organizações dizem ter como objetivos o autodeterminação curda e a construção de uma sociedade comunitária e socialista. Ambas têm o pecaminoso descaramento de incluírem mulheres em suas guerrilhas, seus postos de direção e governos locais.

“As curdas brigam pela libertação nacional e ao mesmo tempo, pelos direitos da mulher”, disse a SdR Mehmet Dogan, cineasta e antropólogo curdo. De acordo a Dogan, por volta de metade dos efetivos curdos na Síria são mulheres.

A arcaizante interpretação do Islã que faz o Estado Islâmico não só é sua motivação principal para a batalha. Também é a fonte de seus maiores temores. Os seus guerreiros motivam-se com a promessa de que, se caírem em combate, serão esperados no Paraíso por inúmeras virgens, mas a promessa corânica pode ser transformada em condenação eterna: os homens do Estado Islâmico estão convencidos de que morrerem a mãos de uma mulher é uma desonra que enviará sua alma para o Inferno.

Novos tempos. A participação das curdas na guerrilha remonta à década de 60, mas as suas maiores conquistas verificaram-se a partir de 1998. Nesse ano, o PKK redefiniu a sua estratégia e abandonou a sua definição marxista-leninista clássica, para adotar a bandeira do “confederalismo democrático”. Dogan assinalou que, graças à pressão das mulheres nas bases do partido, se adotou uma linha que atribui ao feminismo posto de destaque junto ao socialismo e ao ecologismo.

Em todas as organizações da órbita do PKK, a presidência é compartilhada por duas pessoas, um homem e uma mulher. As milícias curdas também aplicam este princípio de copresidência no governo das cidades que controlam em Rojava – zona curda de Síria – como Kobanê, Serêkanîye e Efrîn.

Neste ano, a coalizão de esquerda que integram os grupos afins à guerrilha curda conseguiu 10% dos votos nas eleições locais da Turquia. 55,3% das integrantes de suas listas eram mulheres. Toda uma revolução em um país de longa tradição patriarcal, onde a participação feminina no resto dos partidos político é quase nula.

Outros papéis. Vendidas como escravas sexuais: esse foi o destino de umas 300 mulheres yazidís (uma religião minoritária do norte do Iraque) sequestradas no mês passado pelo Estado Islâmico, de acordo ao Observatório Sírio de Direitos Humanos. Um relatório recente da BBC eleva até três mil o número das mulheres sequestradas e vendidas.

Em julho, o Estado Islâmico ordenou que todas as crianças e mulheres entre 11 e 46 anos nos territórios sob o seu domínio se submetam à ablação genital, segundo denunciou a ONU. Esta prática consiste na mutilação do clítoris e é pouco frequente na zona, mas o Estado Islâmico acha que terminará com a “libertinagem e a imoralidade”, segundo um comunicado da organização jihadista.

Não só os curdos recrutam mulheres para suas fileiras. O Estado Islâmico também o faz. Mas neste caso “são mulheres que se dedicam a reprimir outras mulheres”, assinalou Manuel Martorell, jornalista espanhol especializado no Médio Oriente e Curdistão. Em conversa com SdR, Martorell indicou que o Estado Islâmico tem a sua própria “polícia” feminina para obrigar as mulheres a cumprirem as estritas normas islâmicas.

Para Martorell, a das mulheres curdas “é uma intervenção radicalmente oposta” à das seguidoras do Estado Islâmico. Em uma sociedade onde a opressão sobre a mulher adquiriu historicamente formas extremas, as mulheres curdas tiveram que percorrer um longo caminho para terem consideração análoga à dos homens. Não parecem dispostas a retroceder nesse caminho.

in http://www.diarioliberdade.org/

Conheça as YPJ, as mulheres que combatem o grupo Estado Islâmico

“Na linha da frente da ofensiva entre combatentes curdos e os militantes do estado Islâmico, um grupo de mulheres está mobilizado e tem dado nas vistas. Estas guerrilheiras deixaram para trás a casa e as famílias e colocaram os sonhos em suspenso.

Auto apelidadas Mulheres das Unidades de Proteção, ou YPJ na sigla curda, estas brigadas femininas lutam lado a lado com as Unidades de Proteção Populares, as YPG, a organização armada curda na Síria que tem feito oposição ao presidente Bashar al-Assad e que agora está a conseguir vários sucessos na contraofensiva aos “jihadistas” no norte do país.

 As mulheres do YPJ sentiram-se na obrigação de pegar nas armas e lutar lado a lado com os homens na defesa do país natal. Dilbreen, de apenas 17 anos, é uma delas e garante ter-se juntado “ao YPJ de forma voluntária”: “Alistei-me para defender os curdos, os árabes, os cristãos, enfim, todos os nacionais. Vou defender o meu país e todos aqueles que estão a lutar por ele.”

A comandante Çiçek explica as diferenças entre um homem e uma mulher na linha da frente da guerra contra oISIL, a sigla inglesa do grupo estado Islâmico: “O combatente masculino recorre mais ao físico enquanto as mulheres utilizam mais a inteligência e o planeamento. A mulher sabe quando usar as armas e é com naturalidade contra a violência da guerra. No entanto, somos obrigadas a defender-nos. Fomos educadas com este tipo de pensamento.”

As mulheres não sentem qualquer diferença face aos homens em termos de prestação no combate. Os homens, alegam, confiam mais na força física, enquanto elas baseiam mais a sua ação na astúcia, na discrição e na paciência. Tudo para, no final, se obterem os mesmos resultados: vencer.

Zireena, de 18 anos, é oriunda de Qameshli e explica-nos que na guerra não há tempo a perder diante do espelho. “Em casa, todas as raparigas cuidam delas próprias. Mais do que na linha da frente. Quando eu vou para a linha da frente, sinto que não sou a mesma. Sinto-me mais crescida, percebo melhor o que me rodeia”, afirma Zireena.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, as Unidades de Proteção Populares curdas na Síria, as YPG, têm vindo a aumentar a força humana. Novos recrutas continuam a chegar oriundas da Europa, da Austrália e dos Estados Unidos para se juntarem à luta contra os “jihadistas” do grupo Estado Islâmico.”

in http://pt.euronews.com/

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